A migração faz parte da natureza humana. Essa é, em síntese, a mensagem de entrada do Museu da Imigração de São Paulo, um museu que, sem dúvida, desperta muitas reflexões nos seus visitantes:

  • “Diáspora Humana: Se quiséssemos contar a história da espécie humana resumidamente, desde suas origens mais remotas, ela poderia ser escrita por meio de uma série de expansões demográficas e migrações que se sucederam ao longo de milênios. A nossa espécie homo sapiens tem uma origem bem definida na África de onde se expandiu para a Europa e a Ásia, e depois para a América e Oceania. Essa expansão levou, ao longo dos milênios, à colonização de todo o planeta Terra. Expansões demográficas e migrações, portanto, são tão antigas quanto a própria humanidade – e a definem.  Desde a origem dos tempos, nossos ancestrais têm atravessado continentes ou oceanos – no início a pé ou de barco, e depois utilizando os meios de transporte mais modernos – em viagens realizadas por razões de sobrevivência, políticas, econômicas, religiosas ou até mesmo pela simples curiosidade de conhecer outros lugares. Foram essas migrações que fizeram com que nossa espécie seja a de maior distribuição geográfica pelo planeta.”

Percebe-se, assim, que os movimentos anti-imigração que crescem mundo afora seguem em direção contrária à própria essência do ser humano. Numa época, recebemos migrantes em nossa terra, noutra, somos nós os próprios imigrantes, pelos mais variados motivos: econômicos, políticos, religiosos ou naturais. Pense, a propósito, nos futuros refugiados do aquecimento global.

  • A nós, viajantes, cabe esperar um mundo com menos fronteiras, onde impere a paz,  a solidariedade e a mútua-compreensão entre os povos.

Divagações à parte, vamos falar sobre o museu!

Museu da Imigração de São Paulo

Prédio do Museu da Imigração de São Paulo
Prédio do Museu da Imigração de São Paulo

O Museu da Imigração de São Paulo está localizado na antiga hospedaria de imigrantes na capital paulista: a hospedaria do Brás. Inaugurada em 1887, foi o abrigo de recém-chegados de mais de 70 diferentes nacionalidades. A partir de 1930, a hospedaria passou também a receber migrantes brasileiros. Funcionou até 1978, quando recebeu o último grupo de imigrantes coreanos e, pouco tempo depois, encerrou suas atividades. Em 2014, após a restauração do prédio, o museu foi inaugurado (fonte: site do museu).

Basicamente, os imigrantes chegavam ao Brasil pelo Porto de Santos e chegavam de trem até a hospedaria em São Paulo. De lá, seguiam para as fazendas de café do interior de São Paulo ou para a indústria crescente na capital.

O museu, conforme mencionei anteriormente, é um espaço dedicado à reflexão sobre o processo migratório e à importância da imigração na formação do Estado de São Paulo e do próprio Brasil. Conta estórias de pessoas que vieram de terras distantes, sua viagem e sua adaptação aos novos trabalhos no Brasil.

As exposições do museu, entretanto, não se limitam à época da hospedaria, abrangendo desde o descobrimento do Brasil até as épocas atuais.

Explorando o Museu da Imigração

Obra de Nuno Ramos: É isso um homem?
Obra ‘É isso um homem?’ de Nuno Ramos.

O museu propriamente dito fica num prédio de dois andares. Na entrada, subimos para o piso superior, onde encontramos uma carreta quebrada carregando tijolos. Alguns tijolos estão caídos pelo chão. Trata-se da obra “É isto um homem?”, de Nuno Ramos, que busca representar o trabalho e a diáspora.

Exposição Diáspora Humana
Diáspora Humana

Inicia-se a exposição pela Diáspora Humana, que mencionei no início do artigo.

Logo depois, seguimos para a exposição sobre a Imigração no Brasil. Diversas telas de TV explicam o processo de imigração no Brasil-Colônia.

Imigração no Brasil - Tour Virtual
Imigração no Brasil – Tour Virtual

Na sala seguinte, são apresentadas as diversas hospedarias no Brasil e no mundo. As hospedarias no exterior eram centros de emigração, onde os imigrantes ficavam hospedados até a partida de navio para o Brasil.

As migrações internas também estão contempladas nesta exposição.

Beliches da antiga Hospedaria do Brás
Beliches da antiga Hospedaria do Brás

No final do corredor, há uma reconstituição da antiga hospedaria do Brás: suas camas, refeitórios e objetos pessoais dos migrantes.

Acordeon - Exposição de Objetos Pessoais dos Imigrantes
Acordeon Italiano – Exposição de Objetos Pessoais dos Imigrantes

Chama a atenção um conjunto de gavetas onde você pode ler as Cartas de Chamada, que eram correspondências trocadas entre os imigrantes no Brasil e os seus parentes ainda na Europa.

Cartas de Chamada
Cartas de Chamada

Continuamos no outro lado do prédio. Por lá, destaca-se uma exposição sobre os bairros tradicionais da cidade de São Paulo: Brás, Mooca, Bom Retiro e Santo Amaro.

Bairros Tradicionais de São Paulo
Bairros Tradicionais de São Paulo.

Há também uma sala sobre a imigração nos dias de hoje. Algumas TVs contam as estórias de imigrantes, especialmente os latino-americanos, que se estabeleceram recentemente nos bairros de São Paulo.

Eu sou brasileiro
‘Eu sou brasileiro’ em várias línguas no teto do Museu

Na saída, uma parede de um corredor exibe os sobrenomes estrangeiros que formam os nomes dos cidadãos brasileiros.

Sobrenomes Estrangeiros no Brasil, Museu da Imigração de São Paulo
Sobrenomes Estrangeiros no Brasil, Museu da Imigração de São Paulo

Você sabia que pode fazer um Tour Virtual pelo Museu da Imigração? Clique aqui.

No andar térreo do prédio, estão as exposições temporárias. No dia que visitamos, estavam expostas joias e outras recordações de famílias que vieram para o Brasil.

Objetos Pessoais dos Imigrantes, Museu da Imigração de São Paulo
Objetos Pessoais dos Imigrantes. Exposição Temporária.

Na parte externa, há uma ampla área arborizada. Você ainda pode visitar a antiga estação ferroviária onde desembarcavam os migrantes.

Antiga Estação de Trem - Museu da Imigração
Antiga Estação de Trem – Museu da Imigração

Trem do Imigrante

Você pode fazer o percurso com o Trem do Imigrante. O trem segue de ré até a estação Mooca e retorna à estação Brás finalizando a viagem na plataforma de embarque. O trajeto dura 30 minutos.

Os passeios ocorrem aos sábados, domingos e feriados, das 11 às 16hs. O ticket custa R$ 25. O guichê e a plataforma de embarque ficam em frente à entrada do museu.

Acervo Digital

Você sabia que pode consultar pela internet os registros de matrícula dos imigrantes que passaram pela hospedaria e quem sabe encontrar a estória de um avô ou bisavô que chegou ao Brasil?

  • Basta consultar o site do Museu. Clique aqui.

Nessa página, você encontrará os bancos de dados com alguns tipos de documentos, tais como: Iconografias, Requerimentos SACOP, Registros de Matrícula, Cartografias, Jornais, Cartas de Chamada e Lista de Bordo.

Como chegar?

Pátio do Museu da Imigração de São Paulo
Pátio do Museu da Imigração de São Paulo

O museu fica na Rua Visconde de Parnaíba, n. 1316, no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo/SP. É uma rua sem saída, ao lado de uma linha férrea.

A estação de metrô mais próxima do museu é a Bresser-Mooca.

Está aberto de terça a sábado, das 9 às 17hs, e domingo, das 10hs a 17hs.

O ingresso custa R$ 10 (inteira). A entrada é gratuita aos sábados.

Resumindo…

O Museu da Imigração de São Paulo é um dos melhores museus da capital paulista. Além de ser um espaço dedicado à reflexão sobre o fenômeno da imigração, o museu talvez seja um dos melhores retratos da formação do povo brasileiro.

Apaixonado por viagens e por fotografia. Começou a descobrir o mundo há 10 anos e já visitou 71 países. Gosta de caminhar a esmo pelas cidades mundo afora, observando as pessoas, as comidas, as construções e a arquitetura. É formado em Engenharia e Direito.

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