Internet na China: o que você precisa saber antes de viajar

Até 2030, a China será o maior destino turístico do mundo. Mas, antes de viajar para lá, você deve conhecer os aplicativos e sites indispensáveis para utilizar a Internet e sobreviver nesse incrível país.

Não é novidade que a China exerce um estrito controle sobre a internet. De fato, determinados sites e aplicativos muito utilizados no ocidente são bloqueados pelo “The Great Firewall of China”.

  • A expressão “The Great Firewall of China” foi cunhada pelo Professor Geremie Barmé (1977), um sinologista australiano, a partir do termo “Firewall”, usado em computação para se referir a um analisador de tráfego em redes de computadores, e da expressão “The Great Wall of China”, que se refere à Grande Muralha da China.

Mesmo quando não bloqueados, os serviços e sites estrangeiros tornam-se bem mais lentos que o normal, o que dificulta a sua utilização.

Num mundo conectado como o nosso, onde dependemos cada vez mais dos nossos smartphones e notebooks para as tarefas do dia-a-dia, isso atrapalha bastante a vida do turista estrangeiro, especialmente, daquele que viaja por conta própria.

Neste artigo, apresento-lhes dicas e soluções para que você possa superar essas limitações da Internet, permitindo que a sua viagem à China se desenrole com muito mais tranquilidade.

A Internet na China

O controle da internet na China se manifesta, conforme mencionei, pelo bloqueio de aplicativos e sites estrangeiros. Além disso, determinados resultados nos sites de busca permitidos no país podem ser suprimidos por exigência governamental.

De fato, as empresas de tecnologia que desejam operar no país devem se submeter às leis locais. Na China, vigora o princípio conhecido como “Internet Soberana”.

Convém mencionar que esse controle só ocorre na República Popular da China (RPC) e não nas regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau, que possuem leis próprias e grande autonomia em relação à China Continental.

Ademais, celulares com números dessas regiões (ou de outros países) podem acabar não sofrendo as restrições dos celulares com números da RPC.

  • Isso foi o que constatei na minha penúltima viagem a Xangai (janeiro/2018). O hotel onde fiquei emprestava gratuitamente aos hóspedes um celular com número de Hong Kong e os serviços, aplicativos e sites normalmente bloqueados na China funcionavam nesse smartphone. Confira nosso post: Onde ficar em Xangai?

Outro ponto a ser ressaltado é que pode ser um pouco burocrático se conectar à internet na China.

Ao adquirir um chip local, por exemplo, as operadoras de telefonia móvel exigem cópia do seu passaporte e ainda tiram uma foto sua antes de habilitar o seu número.

Por outro lado, para acessar o wifi disponível em locais públicos ou em estabelecimentos, você deverá informar o seu número de telefone móvel ou o seu passaporte. Num post anterior, relatei que na Sala Vip da Air China, no Aeroporto de Xangai, havia um totem, onde o passageiro colocava seu passaporte para obter a senha da internet.

Ou seja, o governo tem o controle de quem acessa o que na Internet.

Aplicativos e Sites bloqueados na China

1. Redes Sociais

Em princípio, o acesso a praticamente todas as redes sociais estrangeiras é bloqueado na China, seja por meio de seus sites ou por meio de seus aplicativos, nos smartphones.

  • Destaco, por exemplo: Facebook, Twitter, Instagram, Google Plus, Pinterest, Tumblr, Flickr, Badoo, Tinder, dentre outras.

Uma exceção é o Linkedin. O governo chinês reconhece a utilidade dessa plataforma para a busca de talentos para as empresas ou para a realização de negócios. Atualmente, há mais de 40 milhões de usuários do Linkedin na China.

2. Comunicadores

Aplicativos de comunicação tais como Messenger, Whatsapp e Telegram são bloqueados na China.

Observei, por exemplo, que as mensagens do Whatsapp conseguem, em determinados momentos do dia, furar o bloqueio do Firewall e acabam sendo descarregadas de uma vez só. Entretanto, não é possível baixar fotos, áudios ou vídeos.

3. Serviços de Vídeo e Plataformas de Streaming

Serviços de Vídeo como YouTube, DailyMotion, Vimeo, Netflix ou Amazon Prime não estão acessíveis na China. Entretanto, consegui acessar o Spotify tranquilamente no celular, escutando músicas que ainda não haviam sido baixadas no aplicativo.

4. Google

Praticamente todos os serviços do Google são bloqueados na China, incluindo, o buscador Google Search, o Google Drive, o Google Photos, o Gmail, Google Maps, YouTube, Google News, dentre outros.

5. Sites

Alguns sites de empresas de noticiais estrangeiras tais como o New York Times, a Bloomberg ou o jornal francês Le Monde estão bloqueados. Por outro lado, a página da CNN Internacional não está bloqueada.

Quanto aos sites jornalísticos brasileiros, não observei nenhuma restrição, apesar de notar lentidão no carregamento das páginas.

Um dos sites mais famosos bloqueados na China é a enciclopédia Wikipedia.

  • Dica: Entretanto, ao consultar o verbete acrescido do termo “wikipedia” no buscador Bing, o usuário consegue acessar o conteúdo do artigo nos resultados da busca.

6. Android x IOS (Iphone)

Quem tem celulares com sistema Android tem mais dificuldades na China. Além de os serviços do Google estarem bloqueados, a loja de aplicativos Play Store também não pode ser usada. Celulares com sistema IOS (Iphone) não sofrem com tais restrições.

Como saber se um site está bloqueado na China?

A relação de sites e aplicativos bloqueados está sujeita à alteração. Novos sites ou apps podem ser bloqueados e outros podem ser desbloqueados.

Para saber se um site está bloqueado, você pode usar dois serviços online, bastando digitar a URL que deseja acessar por lá: Comparitech e Greatfire.

Como o bloqueio dificulta a vida do turista?

Como turista, a maior dificuldade que enfrentei foi não poder usar o Google Maps, um aplicativo que utilizo bastante para localização nas cidades, permitindo traçar caminhos, encontrar atrações, restaurantes ou estações de metrô, dentre outros pontos de interesse.

Na China, o Google Maps é bloqueado e, geralmente, não se permite fazer o download de mapas das cidades para usar o aplicativo off-line. Se você carregou os mapas antes de voar para a China, você pode utilizá-lo off-line, mas sem traçar rotas ou fazer pesquisas.

Além disso, as próprias buscas de informações úteis para viagem ficam prejudicadas, pois o Google está bloqueado.

Normalmente, também uso o Whatsapp para comunicação, o Gmail como e-mail principal e as principais redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram). Como tenho um celular Android, também não é possível baixar novos aplicativos na Play Store.

Aplicativos e sites indispensáveis para viajar a China

A seguir, apresentamos uma relação de aplicativos e sites gratuitos para você utilizar na China, substituindo os bloqueados, e indicamos um mecanismo para você, eventualmente, contornar o bloqueio para utilizar os apps e sites que já está acostumado.

  • É importante, entretanto, que você instale todos os aplicativos ou softwares antes de viajar para a China, pois a loja de aplicativos ou o site de download poderão estar inacessíveis no país.

1. VPN – Virtual Private Network

Para acessar os sites e aplicativos bloqueados, você pode utilizar uma Virtual Private Network (VPN), embora o governo também tente bloquear a sua utilização.

Nesse tipo de conexão, cria-se uma espécie de “túnel” entre seu computador (ou smartphone) e o servidor VPN. Para todos os efeitos, é como se você estivesse se conectando à Internet a partir de outra localidade ou outro país.

Várias empresas oferecem esse serviço. Há serviços gratuitos e pagos. Particularmente, eu utilizo o Hotspot Shield VPN, que possui versões para Windows e aplicativos para smartphone, tanto para Android, quanto para IOS. Existe uma versão gratuita do software/app e uma versão premium. Como utilizo apenas de forma esporádica para baixar mensagens, optei pela versão gratuita. Vários usuários também recomendam o VPN Betternet.

É importante mencionar que a VPN também torna o uso da Internet mais lenta.

A seguir, apresentamos sites e aplicativos que não estão bloqueados, ou seja, para os quais não é necessário fazer uso da VPN.

2. WeChat

O WeChat é o principal aplicativo de mensagens instantâneas da China, com mais de 1 bilhão de usuários cadastrados, sendo 70 milhões fora do país.

Disponível em língua portuguesa, o aplicativo substitui tranquilamente o Whatsapp e funciona de forma muito semelhante. Além disso, oferece ainda funcionalidades de pagamento o WeChat Pay, muito usado na China juntamente com o Ali Pay.

Antes de ir para a China, avise seus amigos e familiares para instalar o aplicativo que está disponível para Android, IOS, Windows, Mac e ainda tem a sua versão Web. É gratuito!

3. Maps.me

O Maps.me é um excelente aplicativo de mapas que facilita a sua localização na China e pode também ser usado em outros países. Permite traçar rotas bem como pesquisar e marcar pontos de interesse. O App permite identificar atrações, restaurantes, hotéis e outros pontos nas proximidades. Além disso, você pode descarregar os mapas para uso off-line. É gratuito.

Uma alternativa é usar o Google Maps através da VPN.

Existem outros aplicativos de mapas disponíveis, tais como, o CityMaps2Go e o OsmAnd. São gratuitos para download, mas para te ajudarem efetivamente na sua viagem, você poderá ter que pagar para baixar mapas no app.

4. Google Translator

Se você não fala mandarim, como é o meu caso, é importante ter consigo um aplicativo de tradução. Poucas pessoas falam inglês na China e mesmo ainda, fluentemente.

Para aproveitar melhor a sua viagem e poder se virar sozinho, recomendo muito utilizar o Google Translator, o melhor aplicativo de tradução que conheço.

Estive na China recentemente, e notei que é o único produto da Google que efetivamente funciona no país. Ainda que você não tenha internet, você pode baixar as línguas off-line.

A minha sugestão é que você faça sempre traduções do inglês para o chinês (simplificado) e vice-versa. Os resultados são mais precisos que se você fizer traduções de/para o português.

Duas funcionalidades no app são muito interessantes para a sua viagem à China, tais como, o reconhecimento de voz e o de caracteres.

No primeiro caso, basta pressionar o microfone do app e pedir para que o seu interlocutor chinês fale o que ele deseja e você terá uma tradução. No segundo, você pode dirigir a câmera diretamente para os caracteres chineses e visualizar a tradução correspondente.

5. Klook

Klook é um site (e aplicativo) que permite a contratação, de forma online, de passeios turísticos, translados e outras experiências, especialmente na Ásia.

São oferecidas atividades em diversas cidades e províncias da China, tais como, Xangai, Pequim, Xi’an, Guilin, Harbin e Cantão, dentre outras.

Seus preços são bem mais em conta que os oferecidos pelo Viator e os serviços e o atendimento são de boa qualidade. Utilizei-os bastante na minha última viagem à Àsia, notadamente, no Vietnã.

6. Buscadores Bing, Yandex e Baidu

Como falei, o buscador Google está inacessível na China, salvo usando uma VPN. Se precisar fazer buscas na Internet, recomendo utilizar o Bing da Microsoft, o Yandex (serviço russo) ou o Baidu, um motor de buscas chinês. Eventualmente, o buscador Yahoo.com funciona na China.

É importante lembrar que para funcionar da China, o buscador deve seguir as leis do país, que exigem, eventualmente, que determinados resultados da pesquisa sejam suprimidos.

7. Hotmail e Yahoo Mail

Se você tem conta de e-mail no Gmail, como é o meu caso, certamente terá problemas ao chegar à China. Por isso, imprima os seus comprovantes de passagens aéreas ou reservas de hotel, pois se deixá-los no e-mail não conseguirá acessar quando for necessário (salvo com VPN).

Para quem precisa se comunicar por e-mail, recomendo utilizar o Hotmail, o Outlook ou o Yahoo Mail.

8. Didi-Rider e Didi Greater China

Uber não funciona na China. No país, a Didi Duxing é quem opera os aplicativos de transporte individual.

Didi Chuxing é considerada a startup mais valiosa do mundo e pretende desbancar o Uber. A empresa já opera na China, Austrália, Japão, México, Colômbia e Chile. Em 2018, adquiriu o controle da empresa 99 que opera no Brasil.

A empresa oferece uma gama completa de opções de transporte baseadas em aplicativos para mais de 450 milhões de usuários, incluindo táxi, carro particular, opções de luxo, ônibus, micro ônibus, bicicleta e entrega de alimentos.

Para usá-la na China, é importante baixar o app Didi Greater China. Existe também o app Didi-Rider, mas não funcionou em Guangzhou, cidade onde eu estava.

O cadastro é fácil, mas exige um número de celular ativo no qual você receberá um código SMS para confirmação. Logo em seguida, você digita seu nome e sobrenome e pode cadastrar o seu cartão de crédito.

  • Gostei muito dos serviços e dos veículos utilizados. O tempo de espera também foi muito curto. Na modalidade Didi-Express, gastei de R$ 15 a R$ 20 por trajetos de 7 ou 8 km em Guangzhou. Ao final da corrida, você pode ou não avaliar o motorista.
  • Dica: apenas na China, o aplicativo fica com os menus em inglês. Não estranhe!

Enfim, essas são os aplicativos e sites para você acessar a Internet na China, o país que, em breve, será o maior destino turístico do planeta. Boa viagem!

Emerson Cesar

Apaixonado por viagens e por fotografia. Começou a descobrir o mundo há 10 anos e já visitou 71 países. Gosta de caminhar a esmo pelas cidades mundo afora, observando as pessoas, as comidas, as construções e a arquitetura. É formado em Engenharia e Direito.

Sobre o Blog


Turistando por mais de 60 países, já dobrei o Cabo da Boa Esperança, cheguei ao Fim do Mundo e alcancei o Topo da Europa. Enfrentei as Dez Cortes do Inferno e cheguei ao céu em um Balão. Ainda tenho muitos lugares a desvendar, culturas a conhecer e comidas a experimentar. Viaje comigo nos relatos!

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