Este é o quarto de uma série de posts com os hábitos essenciais ao viajante inteligente. Esta série foi produzida com base em nossas experiências de viagens a mais de 60 países. São comportamentos simples que irão facilitar muito a sua vida nas viagens, permitindo que você aproveite ao máximo a experiência de viajar e minimize os riscos de transtornos.

A dica de hoje é não se envolver em assuntos políticos do país que você está visitando. Por óbvio, o turista também não deve participar de manifestações ou protestos que estejam a acontecendo, mesmo que seja um grande acontecimento histórico. Deixe essa tarefa para os jornalistas!

  • Muita cautela especialmente com o que você escreve nas redes sociais!

Em primeiro lugar, os governos (e os cidadãos também) não veem com bons olhos estrangeiros se imiscuindo nos assuntos internos ou externos do país.

  • O turista não pode ser visto como uma “ameaça” ao establishment local, especialmente nos países autoritários ou nas democracias-autoritárias. A oposição e a divergência constituem a essência da democracia e, como sabemos, nem todo governante aprecia a crítica às suas ações.

A propósito, o visto de jornalista é muito difícil de ser obtido em regimes autoritários e, quando concedido, o exercício da profissão é bem controlado pelo governo.

Entretanto, mesmo nos países rotulados de democráticos, manifestar-se politicamente sobre os governantes, políticas ou medidas adotadas pelos governos pode torna-lo uma “persona non grata”.

Se tem dúvida em relação a isso, sugiro fazer uma rápida pesquisa no Google em inglês (ex. deny entry in .. nome do país em inglês).

Afinal, nenhum país é obrigado a permitir a entrada ou a permanência de estrangeiros, mesmo que seja um indivíduo obediente às leis. Ademais, o agente da imigração não precisa explicitar os motivos da recusa em admitir um estrangeiro.

Não só os críticos ao governo podem ser barrados, mas também aqueles que manifestam apreço ou apoio a grupos opositores ou considerados subversivos pelo governo.

Além de poder ter negada a sua entrada, o estrangeiro que se envolve em assuntos políticos está sujeito à deportação (cassação de seu visto de turista ainda que no período de validade) ou até mesmo à prisão, quando a legislação local considera crime tal conduta.

  • O antigo Estatuto do Estrangeiro no Brasil (art. 107 da Lei 6.815/1980) dispunha que o estrangeiro admitido no território nacional, não podia se imiscuir, direta ou indiretamente, nos negócios públicos, sendo-lhe especialmente vedado organizar ou participar de desfiles, passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza. Somente em 2017, essa lei foi revogada e, no atual estatuto, há uma proibição expressa de impedir a entrada de estrangeiro por motivo de opinião política.

Portanto, se até pouco tempo atrás, o estrangeiro no Brasil estava proibido de participar de atividade política, é de se esperar que em muitos países essa legislação restritiva ainda permaneça em vigor.

Outra razão para não participar (ou se aproximar) de comícios ou protestos, ainda que pacíficos, é que eles podem fugir do controle ou serem reprimidos violentamente pela polícia. E o turista sofre as consequências!

Em síntese, o viajante inteligente quer aproveitar tranquilamente o país que está visitando. Por isso, não se manifesta sobre assuntos políticos e não participa de comícios ou protestos, ainda que esteja diante de um acontecimento histórico.

Apaixonado por viagens e por fotografia. Começou a descobrir o mundo há 10 anos e já visitou 71 países. Gosta de caminhar a esmo pelas cidades mundo afora, observando as pessoas, as comidas, as construções e a arquitetura. É formado em Engenharia e Direito.

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